Mercado da moda se reinventa com peças únicas e exclusivas

September 23rd, 2009

A guerra da imitação chegou ao fim. Já não está em moda carregar carteiras de marca que todos querem ter ou peças com desenhos populares. Estilistas e costureiros ressaltam que, agora, estão em voga as peças únicas ou exclusivas e, nesse ramo, o que menos importa é o preço.

Em recente reunião do Conselho de Estilistas dos Estados Unidos, a designer Betsey Johnson disse a seus colegas que as “roupas especiais” e os objetos que não pareciam vir de “nenhum lugar especial” são os mais atraentes para sua clientela. Quando se trata de criar uma tendência, Johnson disse que uma cadeia como a H&M poderia fazer muito mais do que ela, porém, ressaltou que essas lojas não podem captar o estilo de sua marca. Por essa razão ela se concentra em peças exclusivas.

– A ideia de criar um padrão estabelecendo um estilo pode parecer mais fora de moda do que costumava ser – avaliou Claire Hamilton, vendedora e assessora de moda da empresa WGSN. – Esta é uma reação à grande rapidez do mercado da moda. As pessoas buscam o inesperado.

Essa tendência vem se fortalecendo de tal modo que até mesmo as grandes redes como a Macy’s estão se voltando à produção de objetos únicos que possam ser atrativos para sua clientela.

A Macy’s é a única loja de departamentos que vende a marca de roupas Desigual, uma linha com design contemporâneo, cujo forte são seus bordados e retalhos. É o único lugar onde se vendem produtos da designer Rachel Roy, conhecida por sua luxuosa linha contemporânea de roupas, sapatos, joias e bolsas femininas.

Cathy Calhoun, uma joalheira de Royersford, na Pensilvânia, e Max Osterweis, de Nova York, que lançou uma coleção de roupas de algodão similares à tradicional túnica da África Oriental, tiveram grande êxito em seus negócios durante a recessão ao oferecer peças exclusivas aos consumidores.

Osterweis deixou de usar moldes antigos para criar uma nova arte em uma fábrica do Quênia da marca Suno, cuja missão é criar uma indústria sustentada pela população local. A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, foi fotografada no verão deste ano com uma blusa da marca.

Embora esteja em fase de crescimento, Osterweis não quer que o negócio se expanda demasiadamente, o que lhe permite ter o controle da qualidade de seus produtos.

– A Suno trata de criar um novo paradigma no qual os objetos de luxo vem de um antigo paradigma: coisas muito especiais, difíceis de obter e que trazem uma história –salientou.

A joalheria de Calhoun dispõe de anéis de compromisso e cruzes de primeira comunhão que alguém poderia ver em uma loja suburbana. Mas ela afirma que se tratam de joias antigas, por isso custam mais e despertam mais interesse e entusiasmo nos compradores.

– Isso é o que mais a gente deseja: uma joia com procedência e história. Se tem uma história, então, se há de comprá-la – observou.

Recentemente, Cathy Calhoun vendeu muito rápido um broche de diamantes trabalhado à mão com platina, que datava do começo do século 20. A joia vinha em sua caixa original. Passou de geração para geração por mais de 30 anos. Pertenceu a uma mulher que deixou uma nota que estava na caixa, na qual pedia ao próximo dono do broche que “o guardasse como um tesouro, assim como o fiz”.

– As pessoas vem comprar uma peça sem saber que desejam conhecer uma história. E quando alguém começa a contar-lhes, aí sentem que têm de levá-la – disse. – Quem a compra sente-se importante, especialmente porque tem a oportunidade de contar a história outras vezes.

Os consumidores se sentem atraídos por artesanato relacionado a peças antigas, como as marcas de couro de alta costura e qualidade, conforme destacou Greg Furman, diretor executivo do Conselho de Mercado de Luxo, que presta consultoria a presidentes de grandes empresas e gerentes de mercado sobre a melhor maneira de chegar aos potenciais clientes.

Na hora da venda, salientou Furman, é muito importante ter alguém para fazer uma conexão “emotiva” entre cliente e peça, já que, nesse momento, o preço é o que menos importa.

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